Domingo de manhã, esperando o ônibus para ir ao centro histórico, fazer turismo forçado. Bem, não é assim, eu gosto muito de ir ao centro, a questão é que hoje eu precisava ir comprar duas cangas para mandar pra São Paulo. Acontece que o modelo que queria só tem nas lojas lá do Pelourinho, aquela da bandeira do Brasil feita com fitinhas do Senhor do Bonfim. É um presente que as presenteadas escolheram. Muito bem, lá fui eu, aproveito para passear, cada vez conhecer mais a cidade, o chato é que moramos bem longe do centro e fui de ônibus, é uma viagem! Para ter uma idéia, são 22 km e hoje, domingão, sem trânsito, levou 1h e 20m, o mesmo que eu gastava para ir de São Paulo à Campinas!
Mas olha só que ruazinha linda que pego ao descer do ônibus! O centro da cidade é vazio nos domingos, como em qualquer cidade do mundo, é que as pessoas vão para o seu lazer e o centro, mesmo num lugar histórico é comércio, então aqui em Salvador está todo mundo na praia ou assando uma carninha com a familia e os amigos. E não é que comem feijoada no domingão também? Com todo este calor!
Virando a esquina da ruazinha chego na praça do elevador Lacerda, cheia de pombos e de moleques procurando turistas para vender fitinhas do Bonfim, medalhinhas, colares, muita tranqueirs. E logo quando me vêem com câmera na mão correm em minha direção oferecendo mil coisas. Calma gente, não sou turista! Bem, na verdade sou sempre turista onde quer que eu vá, me sinto assim em São Paulo, em Campinas, em qualquer lugar que eu vá.
Continuo o meu caminho e passo em frente à Igreja da Misericórdia, bela, e nos degraus da entrada estão camelôs e mendigos, um ou outro turista, a rua está calma e o calor forte. Nesta igreja tem um museu que ainda não conheço, preciso ir lá, não hoje, voltarei outro dia.
Chegando na praça me viro e vejo a fachada e a lateral da Igreja e Museu da Misericórdia. Alí ficam baianas com seus acarajés e cocadas, passa um sorveteiro, os meninos das fitinhas correm atrás dos turistas, mas está tão calmo por aqui que acho que hoje não vão conseguir muita coisa.
Na praça tem esta fonte e uma coisa curiosa, tem aí um monte de cachorros, são viralatas (ou vira-latas?), cães grandes, ficam deitados, esparramados nas sombras. Algumas pessoas sentadas nos bancos, aquela preguiça típica de domingo, quer dizer, para os baianos de qualquer dia da semana. Digo isso porque admiro a calma deles, são alegres, brincalhões e fazem tudo devagar mesmo.
Cheguei. É aqui neste casario que ficam as lojas de lembranças e souveniers, e onde está a tal loja da tal canga. Que nada! Não tinha mais aquela canga da bandeira, tinha muitas outras, todas lindas, mas eu precisava da canga da bandeira. Aqui é a parte da cidade alta. O centro de Salvador tem um morro e em cima fica o Pelourinho, lá embaixo a marina e o Mercado Modêlo. Então decidi ir procurar lá embaixo a tal canga.
Para descer a gente embarca no elevador, custa cinco centavos a viagem que acho que não dá um minuto, e toda vez que pego o elevador fico pensando que poderia ser panorâmico. É um elevador grande, geralmente lotado, mas hoje desci apenas com 2 casais, eram turistas de São Paulo. Eu adoro puxar uma conversinha...
São 2 elevadores, durante a semana tem filas enormes de espera, hoje a ascensorista que esperava os passageiros.O bom é que o ar condicionado lá dentro é bem geladinho e dá uma folga no calor que a gente sente.
Ao sair do elevador já estamos na praça do Mercado Modêlo que é cheia de barracas com milhões de coisas, e tem baianas com acarajés e cocadas, naturalmente.
Vende-se de tudo nas barracas, roupas, bijouterias, instrumentos musicais, artesanato e uma bobageira incrível, e tem também muita coisa bonita. Aí ví esta barraca e fiquei pensando quem compra essas coisas?
Agora, este tipo de barraca me atrai, e delas tem um montão, fico com vontade de dar uma paradinha, talvez comprar alguma coisa, mas meu objetivo é a tal canga, vou para dentro do Mercado porque lá é recheado de bancas maravilhosas, nada de frutas, verduras, peixes, há muito as bancas mudaram de figura, agora todas tem roupas, rendas, redes, bordados, artesanatos e as cangas!
Estão pintando o mercado, afinal a temporada de verão está aí e passar por aqui é obrigatório para qualquer pessoa que visite a cidade. E encontrei a canga, depois de perguntar em várias bancas encontrei, eram as últimas duas, dá pra acreditar? A moça me disse que esta é a mais procurada, que é só chegar e sair, e é a mais cara também, porque se encontra cangas de 10, 15, 20 reais, tem uma mais linda que a outra, só esta da bandeira que custa 25, e não teve pechincha, mesmo comprando duas, nada de desconto. Está certo, se vende por isso, por que não aproveitar, não é mesmo?
Saí pela porta dos fundos do mercado, lá no terraço tem um restaurante, uma bela visão do mar, principalmente ao entardecer, dá pra ver o sol se por no mar, na Bahia de Todos os Santos, é um espetáculo, e enquanto assiste a gente pode comer uma moqueca, tomar umas "roskas" (sabe o que é? outra hora eu conto).
Atrás do Mercado pego a Estados Unidos que vai dar na Inglaterra, alí do lado fica a França, onde pára o ônibus que volto pra casa. Outra viagem! Tive a sorte que o ônibus não foi pela orla toda, da Paralela caiu em Piatã, levou 50 minutos, ônibus vazio, foi tranquila a volta. Desci em frente a minha praia e pensei: definitivamente domingo não é dia de praia!Lotaaaaaada!
Olha essa praia! Nem reconheço a Oásis, barraca que frequento durante a semana, passo lá depois da caminhada matinal para uma água-de-côco, ou no fim de tarde para uma caipirinha.Domingo não dá praia pra mim.
Tá, não mostrei a canga, esqueci de fotografar, vou então mostrar a minha, ganhei de um casal de amigos e está pendurada na varanda de casa. Foi aí que tudo começou. Fotografei a canga na varanda e elas quiseram.
Brincadeirinha, viu
Ciça? viu
Cau? Curti muito ir comprar este presentinho pra vocês! (nesta hora que estou escrevendo as cangas estão voando pra aí)
[ixi... contei o preço do presente, isso é falta de educação, mas elas são de casa, e além do mais isso é uma lembrancinha, não é presente, né?]